Por um período que se estendeu durante aproximadamente dois séculos, o continente Europeu passou por uma série de mudanças que resultaram em uma nova forma de ver e de agir no mundo. O homem buscava novas interpretações para os problemas ao seu redor e as velhas explicações medievais pareciam insuficientes. A Idade Média foi considerada um longo período de trevas e escuridão, seus valores foram postos por terra. Retomava-se os antigos conceitos da cultura clássica greco-romana.
Muitas vezes, tendemos a imaginar que o Renascimento foi apenas um movimento cultural marcado por grandes nomes da história da arte. É preciso deixar claro que, durante os seculos XV e XVI, um novo estilo de vida foi adotado por determinados grupos sociais e urbanos. Estes homens, geralmente ricos comerciantes, interessados em adquirir prestígio social, passaram a patrocinar artistas que, em suas obras de arte, retratavam o novo momento vivenciado pela sociedade européia. Inicialmente, o Renascimento ocorreu em algumas cidades italianas impulsionado pela reabertura do Mar Mediterrâneo no século XVIII, o que possibilitou o comércio com o Oriente e o surgimento dessa camada burguesa.
Neste novo estilo de vida, algumas crenças foram sendo substituídas. Abandona-se, por exemplo, a concepção medieval de Deus como o centro de todas as coisas, o teocentrismo. Em oposição, é adotada uma visão antropocêntrica, o homem torna-se senhor do seu próprio destino. Neste momento, a razão irá obter um lugar de destaque em um mundo que até então era guiado por crenças e mitos. A ciência aparece como um método que possibilitava a comprovação daquilo que era dito e tudo deveria ser racionalmente explicado. O individualismo foi outro valor disseminado neste período o que quer dizer que passava-se a atribuir ao homem a responsabilidade pelas suas escolhas, os homens passam a ter "voz ativa" na condução da sua vida o que de certa maneira contradizia a idéia medieval da predestinação.
Outras características desse período foram: o naturalismo, que modificou a relação que até então o homem estabelecia com a natureza. O homem tornou-se mais observador; o hedonismo, se em tempos medievais o prazer muitas vezes foi considerado pecado, no Renascimento ele passou a ser valorizado, o homem podia e devia fazer coisas apenas pelo prazer que elas pudesem lhe proporcionar.
É importante ressaltar que os homens renascentistas consideravam a Idade Média um período de trevas, mas hoje sabemos que não foi bem assim. Inúmeras tranformações ocorreram durante esse período o que não nos permite compatilhar do julgamento renascentista. Outra importante consideração diz respeito a repercussão destes novos conceitos fora da Itália. Este país foi o grande expoente do Renascimento e talvez isto tenha ocorrido porque seus artistas tornaram-se conhecidos ao redor de todo o mundo devido ao brilhantismo de sua produção. Leonardo da Vinci e Michelangelo são bons exemplos.
Porém, em outras áreas, muitos países também se destacaram. Portugal, por exemplo, foi pioneiro nos estudos sobre marinharia e medicina. Assim, como na Itália em que a presença de um numeroso mecenato criou condições para a produção artística, em Portugal as viagens ultramarinas e o contato com povos indígenas tornou viável desenvolvimento de outas áreas.
A imagem ao lado é um desenho feito pelos irmãos Van Eyck e reproduz bem a mentalidade renascentista de valorização do homem, assim como o patrocínio das artes pela burguesia nascente.
Esse assunto continua em outros artigos